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Explicamos de forma simples e sem mistério o que está por trás dos alimentos que você consome todos os dias.

Multivitamínicos – Funcionam ou São Apenas uma Ilusão?

Multivitamínicos – Funcionam ou São Apenas uma Ilusão?


Ao longo das últimas décadas, os multivitamínicos ganharam destaque nas prateleiras de farmácias e supermercados, sendo vistos como uma solução rápida para suprir possíveis carências nutricionais. Mas afinal, será que eles realmente funcionam ou seriam apenas mais um produto impulsionado pelo marketing? Para responder a essa pergunta, é preciso compreender o papel de cada nutriente no organismo e comparar as quantidades presentes nos suplementos com as necessidades diárias do corpo. Estudos científicos apontam que, em indivíduos saudáveis e com dieta equilibrada, os multivitamínicos dificilmente trazem grandes benefícios adicionais. Em contrapartida, para pessoas com deficiências nutricionais, restrições alimentares ou condições específicas, eles podem sim ajudar a complementar a dieta e evitar complicações de saúde.

Se olharmos para os rótulos, muitos multivitamínicos disponíveis no mercado apresentam doses que ficam próximas da Ingestão Diária Recomendada (IDR) para cada vitamina e mineral. Por exemplo, a vitamina C geralmente aparece em torno de 45 a 60 mg, que corresponde exatamente ao recomendado para adultos saudáveis. Já a vitamina B12 costuma estar presente em doses de 1 a 2,4 mcg, também condizentes com a necessidade diária. Entretanto, o problema surge quando se trata de nutrientes como cálcio e magnésio, que exigem quantidades muito maiores — cerca de 1000 mg de cálcio e 400 mg de magnésio por dia — mas que nos multivitamínicos aparecem em concentrações muito baixas, às vezes inferiores a 100 mg. Isso mostra que, sozinhos, esses suplementos não têm o poder de suprir completamente as necessidades do corpo.

Outro ponto crucial é que o organismo não absorve todos os nutrientes da mesma forma. Minerais como ferro e zinco, por exemplo, competem entre si durante a absorção intestinal, o que significa que ingerir ambos ao mesmo tempo pode reduzir a eficácia da suplementação. Além disso, vitaminas lipossolúveis, como A, D, E e K, só são bem absorvidas quando consumidas junto com fontes de gordura. Isso significa que a simples ingestão de um comprimido não garante que o corpo estará de fato aproveitando todos os nutrientes presentes. É justamente por isso que muitas nutricionistas e médicos afirmam que multivitamínicos não substituem uma dieta equilibrada. Eles podem oferecer um reforço, mas dificilmente compensam uma alimentação pobre em frutas, legumes, grãos e proteínas de qualidade.

Há também a questão do excesso. Diferente do que muitos acreditam, mais nem sempre significa melhor. Vitaminas como a C e as do complexo B são hidrossolúveis, e o corpo elimina o excesso pela urina. Mas quando se trata das lipossolúveis — A, D, E e K — o excesso pode se acumular no organismo e gerar toxicidade, resultando em problemas no fígado, nos rins ou até no sistema cardiovascular. Isso mostra que a suplementação indiscriminada pode trazer riscos. É por isso que profissionais da saúde defendem que multivitamínicos só devem ser usados após uma avaliação individualizada, preferencialmente com exames de sangue que indiquem quais nutrientes estão realmente em falta.

Apesar das críticas, os multivitamínicos não podem ser considerados inúteis. Eles desempenham um papel importante em contextos específicos. Idosos, por exemplo, costumam ter menor absorção de vitamina B12 e vitamina D, e nesses casos a suplementação é altamente recomendada. O mesmo vale para pessoas em dietas restritivas, como veganos, que podem ter dificuldade em obter vitamina B12 apenas pela alimentação. Mulheres em idade fértil também podem se beneficiar de suplementos com ferro e ácido fólico, já que a deficiência desses nutrientes é comum nesse grupo. Em atletas, a alta demanda metabólica pode justificar o uso como forma de prevenção contra carências. O segredo, portanto, não está em tomar multivitamínicos indiscriminadamente, mas em entender quando e como eles podem ser aliados.



O mito da “pílula mágica” — por que multivitamínicos não substituem uma boa alimentação

Um dos maiores equívocos sobre os multivitamínicos é acreditar que eles funcionam como uma “pílula mágica” capaz de substituir refeições completas ou compensar hábitos ruins. A realidade é que nenhum suplemento consegue reproduzir a complexidade dos alimentos naturais. Frutas, legumes, verduras, grãos e proteínas não oferecem apenas vitaminas e minerais: eles também fornecem fibras, fitoquímicos, antioxidantes e gorduras saudáveis que atuam em conjunto para manter o corpo em equilíbrio. Esse efeito sinérgico dos alimentos não pode ser replicado em cápsulas ou comprimidos. Por isso, mesmo quem consome multivitamínicos diariamente ainda precisa manter uma dieta equilibrada, caso contrário, continuará vulnerável a doenças relacionadas ao estilo de vida, como diabetes tipo 2, hipertensão e obesidade.

Outro ponto importante é que as vitaminas e minerais isolados nos multivitamínicos nem sempre são absorvidos da mesma forma que aqueles presentes nos alimentos. Por exemplo, o ferro de origem vegetal, comum em suplementos, é absorvido em menor quantidade do que o ferro proveniente de carnes. Já a vitamina C encontrada nas frutas vem acompanhada de fibras e compostos bioativos que melhoram a absorção e potencializam os benefícios. Além disso, a biodisponibilidade varia: alguns minerais competem entre si durante a absorção. O cálcio, por exemplo, pode reduzir a absorção de ferro e magnésio quando ingeridos juntos, algo que ocorre frequentemente em fórmulas multivitamínicas. Esse detalhe técnico ajuda a explicar porque, em muitos casos, o corpo não consegue aproveitar 100% do que está sendo suplementado.

Também é válido destacar que nem todo mundo precisa tomar multivitamínicos diariamente. Estudos científicos apontam que pessoas saudáveis, que seguem uma dieta variada e equilibrada, muitas vezes já conseguem atingir as recomendações nutricionais apenas com os alimentos. Nessas situações, o uso indiscriminado de suplementos pode até trazer riscos. O excesso de vitamina A, por exemplo, pode gerar toxicidade, causando náuseas, dores de cabeça e até problemas no fígado. Altas doses de vitamina E podem aumentar o risco de sangramentos. Já o excesso de ferro pode se acumular no organismo, provocando danos em órgãos como fígado e coração. Portanto, o ideal é que a suplementação seja personalizada, recomendada após avaliação clínica e exames laboratoriais, e não apenas adotada por impulso ou propaganda.

Por isso, antes de investir em um multivitamínico, é fundamental entender que eles devem ser vistos como apoio, e não como substitutos da alimentação. Eles podem ser aliados em situações específicas, como dietas restritivas, gravidez, terceira idade ou em casos de deficiências diagnosticadas. Mas confiar unicamente nesses suplementos, ignorando a importância de refeições equilibradas, é um erro comum que pode comprometer a saúde a longo prazo. A chave é equilíbrio: multivitamínicos podem ser úteis, mas o verdadeiro alicerce de uma vida saudável continuará sendo uma alimentação rica em alimentos frescos, variados e minimamente processados.



Multivitamínicos x Necessidade Real do Corpo — Um Guia Completíssimo

Você já se perguntou se aquele multivitamínico do dia a dia realmente supre suas necessidades nutricionais? Vem comigo que a gente vai destrinchar isso com base em estudos, dados oficiais e rótulos reais — e continuar até que o tema esteja realmente fechado e você com clareza total sobre quando usar (ou não) suplementos.


1. O que são as recomendações diárias?

No Brasil, a Ingestão Diária Recomendada (IDR) para adultos saudáveis está definida pela Anvisa. Os valores mais comuns são: vitamina A — 600 µg; vitamina C — 45 mg; vitamina D — 5 µg; vitamina E — 10 mg; tiamina — 1,2 mg; niacina — 16 mg; B6 — 1,3 mg; ácido fólico — 240 µg; B12 — 2,4 µg; cálcio — 1000 mg; ferro — 14 mg; magnésio — 260 mg; zinco — 7 mg, entre outros (Biblioteca Virtual em Saúde MS, nutrijrusp.com.br).

Vale observar também os limites superiores toleráveis (UL): vitamina A — 3000 µg; vitamina D — 50 µg; vitamina C — 2000 mg; ferro — 45 mg; magnésio — 350 mg (suplementos) (Nutritotal (Abertura), Scribd).


2. O que diz o rótulo de um multivitamínico padrão?

Vamos usar como referência o Centrum Adults, um dos mais populares, cuja composição está bem detalhada:

  • Vitamina A: 1050 µg (117% do VD)
  • Vitamina C: 60 mg (67%)
  • Vitamina D₃: 25 µg (125%)
  • Vitamina E: 13,5 mg (90%)
  • B6: 2 mg (118%)
  • Folato: 667 µg (167%)
  • B12: 6 µg (250%)
  • Cálcio: 200 mg (15%)
  • Ferro: 18 mg (100%)
  • Magnésio: 50 mg (12%)
  • Zinco: 11 mg (100%)
    Entre outros minerais em torno de 100% ou muito abaixo disso (Wikipedia).

3. A comparação revela o quê?

  • Vitaminas hidrossolúveis (complexo B, C) — geralmente estão com as doses acima de 100% da IDR, o que garante boa margem de segurança e complementação efetiva.
  • Vitamina D (lipossolúvel) costuma estar acima de 100%, ajudando especialmente quem tem pouca exposição solar.
  • Minerais volumosos (cálcio, magnésio, fósforo): aparecem em baixa concentração no multivitamínico, reforçando que a dieta é quem deve garantir o restante da necessidade.
  • Minerais regulatórios (ferro, zinco, selênio, etc.): muitos estão perto de 100%, o que significa que o multivitamínico pode suprir essas quantidades sem precisar de fontes extras.

4. O que tudo isso significa em termos práticos?

Multivitamínicos completam, mas não substituem uma alimentação rica. Eles funcionam bem como reforço, especialmente para quem:

  • tem dieta restrita (vegetarianos/veganos, alergias alimentares, bebês, gestantes);
  • está em risco de deficiência (idosos, baixa exposição solar, pós-cirurgia bariátrica);
  • precisa garantir reservas mínimas de vitaminas como B12, folato ou vitamina D.

Nos adultos saudáveis com dieta variada, o impacto é menor, e o uso indiscriminado pode até ultrapassar limites seguros — principalmente de vitaminas lipossolúveis ou ferro em excesso.


5. Trechos reais de comunidades que refletem esse debate

“Pelas informações nutricionais, acho que não (vale a pena). Muita coisa você consegue fácil na alimentação, o que não consegue acho que vale a pena comprar separado, tipo o magnésio e a B12.”
— Fórum de atletismo (Reddit)

“Entre esses dois, a única diferença vai ser preço... multivitamínicos nacionais/internacionais ou não têm todas as vitaminas e minerais ou têm, mas com dosagens baixas.”
— Usuário sobre opções de marcas (Reddit)

Isso mostra que, na prática, muitos veem multivitamínicos como complementos úteis, mas não substitutos da alimentação — e que qualidade/composição realmente fazem diferença.


Resumo completo — O que você precisa saber

Categoria

Multivitamínico fornece

Imprescindível via alimentação

Vitaminas hidrossolúveis

Quase déficit é evitado

Essencial mais biodisponível

Vitaminas lipossolúveis (D)

Geralmente suprida acima da IDR

Já via sol/alimentos rica

Minerais estruturais (Ca, Mg)

Baixa quantidade – < 20 % da IDR

Alimentação deve suprir

Minerais regulatórios

Frequentemente cobre ±100 % IDR

Multivitamínico ainda útil

Segurança

Evita deficiências moderadas

Alheio a toxicidade em doses



Ao analisarmos o papel dos multivitamínicos, fica claro que eles não são uma solução mágica, mas sim um recurso que pode ter utilidade em determinados contextos. Para pessoas com carências nutricionais comprovadas, seja por dificuldades de absorção, restrições alimentares, doenças específicas ou mesmo pela fase da vida em que se encontram — como gestantes, idosos ou pessoas em recuperação de enfermidades — a suplementação pode atuar como uma ferramenta importante para restabelecer o equilíbrio nutricional e garantir que o organismo funcione de forma adequada.

Por outro lado, quando falamos de indivíduos saudáveis, que mantêm uma dieta equilibrada e variada, grande parte das pesquisas aponta que os multivitamínicos não oferecem benefícios significativos em termos de prevenção de doenças ou melhora da saúde geral. Isso acontece porque os alimentos fornecem vitaminas e minerais em combinações naturais, acompanhados de fibras, antioxidantes e outros compostos bioativos que dificilmente podem ser reproduzidos em cápsulas. Além disso, alguns estudos até indicam que o excesso de suplementação pode trazer riscos, já que determinadas vitaminas e minerais, quando consumidos em doses muito altas, podem causar efeitos adversos no organismo.

Portanto, a melhor forma de enxergar os multivitamínicos é como um complemento estratégico e não como substitutos da alimentação. Eles podem ser úteis para “fechar lacunas” em situações específicas, mas jamais devem ser usados como uma carta branca para negligenciar hábitos saudáveis. O caminho mais seguro é sempre buscar orientação de um nutricionista ou médico antes de iniciar qualquer suplementação, já que cada organismo possui demandas diferentes e únicas. Em resumo, o equilíbrio entre uma dieta rica e diversificada, aliada à suplementação somente quando realmente necessária, é o que garante uma saúde sólida e sustentável ao longo do tempo.

🔗 Fonte e referência

·        Base regulatória Anvisa: IDR e %VD em suplementos (RDC 269/2005; FAQ/Anvisa). Biblioteca Virtual em Saúde MS


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